Enamed se torna obrigatório para exercer medicina no Brasil: novas regras e implicações

O governo federal, por meio de medida assinada pelo presidente, tornou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) obrigatório para que estudantes de medicina possam obter registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e atuar legalmente como médicos no país. A decisão foi anunciada durante a inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), administrado pela HU Brasil.

Objetivo e abrangência do Enamed

O Enamed passará a servir como:

  • Exame de proficiência obrigatório para exercício da medicina
  • Porta de entrada para o Exame Nacional de Residência (Enare)
  • Primeira etapa do Revalida para médicos formados no exterior

O exame visa garantir que os futuros médicos atinjam um nível mínimo de conhecimento antes de exercer a profissão.

Prazos e cronograma
  • Inscrições 2026: abertas até 29 de junho
  • Data da prova: 13 de setembro de 2026
  • Publicação dos resultados: 4 de dezembro de 2026
  • Modalidade de aplicação: semestral, permitindo que concluintes façam o exame no semestre em que terminam a graduação

A prova terá 100 questões objetivas, com duração de cinco horas, e será corrigida pelo Método de Angoff modificado, que considera a probabilidade de acerto de um candidato minimamente competente.

Regras de aplicação

O Enamed será aplicado em dois momentos da graduação:

  1. Final do 4º ano: caráter diagnóstico e formativo
  2. 6º ano (último ano): avaliação de proeficiência para obtenção de registro profissional

O estudante que não atingir o desempenho mínimo na fase final poderá se formar, mas não receberá licença para atuar como médico até ser aprovado em edições futuras.

Para obter o registro no CRM, será necessário atingir pelo menos 60 pontos na prova, pontuação considerada proficiente.

Impacto nos cursos de medicina

A primeira edição do Enamed, realizada em 2025, revelou que mais de 30% dos cursos tiveram desempenho considerado insuficiente (notas 1 e 2). Entre os concluintes, apenas 67% demonstraram proficiência adequada, indicando que aproximadamente 13 mil formandos ficaram abaixo do nível mínimo exigido.

Em decorrência desses resultados, o Ministério da Educação (MEC) adotou sanções para cursos com desempenho insatisfatório, incluindo:

  • Suspensão de vestibulares
  • Redução de vagas
  • Impedimento de ampliação de turmas
  • Restrições ao acesso ao FIES

Essas medidas reforçam a necessidade de qualidade e supervisão nos cursos de medicina em todo o país.

Conexão com o Profimed

Enquanto o governo federal transforma o Enamed em exame obrigatório, o Senado Federal discute o Profimed, proposto pelo senador Marcos Pontes. O Profimed teria objetivo semelhante, estabelecendo prova obrigatória de proficiência sob responsabilidade do Conselho Federal de Medicina (CFM). A tramitação do Profimed ainda está em debate, com discussões sobre possíveis sobreposições de avaliação e impactos regulatórios.

Conclusão

A obrigatoriedade do Enamed representa um marco na regulamentação da profissão médica no Brasil, garantindo que apenas profissionais com proeficiência comprovada possam atuar legalmente. Além de assegurar a qualidade do ensino, o exame fortalece a segurança do paciente e integra processos como o Enare e o Revalida, criando um padrão nacional para formação e habilitação médica.

O novo modelo semestral permite maior flexibilidade para os concluintes e estabelece padrões claros de avaliação para cursos e estudantes, contribuindo para a uniformização da formação médica no país.

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