Na semana passada, a notícia de uma tragédia abalou o meio médico e jurídico: uma juíza do TJRS, de apenas 34 anos, faleceu devido a complicações decorrentes de um procedimento aparentemente simples: a coleta de óvulos para fertilização in vitro, realizado em Mogi das Cruzes, SP. A Polícia investiga o caso como uma morte suspeita e acidental, buscando apurar se houve falha no atendimento médico.
Ainda que o caso esteja sendo investigado e as circunstâncias não estejam totalmente esclarecidas, ele nos traz uma reflexão importante sobre o risco inerente à atividade médica e a necessidade urgente de gestão e prevenção efetiva dos riscos profissionais.
A realidade do risco na medicina
Em minha experiência profissional, atuando na área médica e jurídica, já vi diversas tragédias que causaram verdadeiras ruínas patrimoniais na vida de médicos e profissionais da saúde. Muitos desses danos foram causados por erros, mas também por falta de precaução e gestão de riscos.
De acordo com uma análise simples, considerando a remuneração básica de um juiz, em torno de R$ 35 mil mensais, e a expectativa de vida do brasileiro, de 76 anos, a indenização vitalícia para os dependentes da vítima poderia ser estimada em aproximadamente R$ 19 milhões, sem contar os danos morais.
Agora, imagine o custo jurídico para defender um processo de 20 milhões de reais? Quanto você acha que seriam os honorários advocatícios para defender uma ação dessa magnitude?
A realidade da judicialização da medicina
É fácil pensar que algo assim nunca acontecerá com você. Muitos médicos acreditam que, por manterem uma boa relação com os pacientes, são imunes a processos e denúncias. No entanto, a realidade jurídica é bem diferente.
Em conversas, já ouvi médicos dizendo:
- “Isso nunca vai acontecer comigo.”
- “Eu tenho uma ótima relação médico x paciente.”
- “Seguro de responsabilidade civil profissional é bobagem, só serve para aumentar a judicialização.”
Bobagem! A verdade é que nenhum médico está imune a intercorrências. Por mais que tentemos controlar os riscos, a medicina é uma atividade de alto risco e os erros podem ocorrer, não importa o quão qualificado ou experiente seja o profissional. Isso, sim, pode resultar em reclamações e processos, e muitas vezes, não depende da sua conduta.
A importância de se prevenir e se proteger
Agora, imagine o quanto você investiria para proteger sua carreira e sua tranquilidade em situações como essa. Não faria sentido manter seu carro segurado ano após ano, mas não investir na proteção jurídica da sua carreira médica? A realidade é que o risco de atuar na medicina pode ser muito maior do que o risco de um carro.
Todo procedimento médico está sujeito a intercorrências, seja devido à complexidade do tratamento, à resposta inesperada do paciente ou até a falhas externas, como erros de comunicação. Mesmo com a melhor das intenções, imprevistos podem surgir, e a única maneira de garantir uma proteção sólida contra esses riscos é ter um seguro de responsabilidade civil profissional adequado ao seu perfil e às suas necessidades.
O que você pode fazer agora?
A prevenção começa com gestão de riscos e tomada de decisão informada. Contratar um bom seguro de responsabilidade civil profissional não é apenas uma escolha prudente, é uma necessidade para garantir a continuidade da sua carreira e proteger sua vida profissional. Além disso, ter uma assessoria jurídica especializada em direito médico pode ser a diferença entre um processo arrastado e um desfecho favorável.
Lembre-se: o mais importante não é evitar erros, mas estarmos preparados para as consequências, quando elas ocorrerem. O risco jurídico na medicina não é algo que se pode ignorar, e tomar medidas preventivas é fundamental para dormir tranquilo.
Conclusão
A morte trágica da juíza, possivelmente decorrente de complicações de um procedimento médico, serve como um alerta sobre os riscos da medicina e da necessidade de gestão de riscos na profissão. Em um cenário onde as ações judiciais e a judicialização da saúde aumentam, proteger sua carreira e garantir a segurança jurídica é um investimento essencial. Não é apenas uma questão de evitar erros médicos, mas de estar preparado para imprevistos. A tranquilidade do médico começa com um planejamento cuidadoso e proteção jurídica.