O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou o Parecer nº 07/2026, trazendo esclarecimentos importantes sobre a responsabilidade técnica em serviços móveis de emergência, como ambulâncias de suporte avançado (UTIs móveis). O documento responde a dúvidas frequentes sobre quem pode assumir essa função e quais requisitos são necessários, especialmente em relação ao Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Responsabilidade técnica: obrigatória e estratégica
O parecer reforça um ponto central: todo serviço médico no Brasil deve possuir um responsável técnico. Essa exigência não é nova — ela tem base histórica e legal, remontando ao Decreto nº 20.931/1932 —, mas ganha destaque no contexto dos serviços móveis, onde o risco assistencial é elevado.
O responsável técnico é o profissional que:
- Responde eticamente, tecnicamente e juridicamente pelo serviço;
- Garante a qualidade da assistência prestada;
- Atua como referência perante autoridades sanitárias e judiciais.
Em outras palavras, não se trata de uma função meramente formal, mas de um papel essencial para a segurança do paciente e organização do serviço.
É necessário ter RQE para assumir essa função?
Segundo o CFM, sim. O parecer estabelece que o médico responsável técnico em serviços móveis de emergência deve possuir RQE, preferencialmente na área de Medicina de Emergência.
Essa exigência se justifica pela própria natureza do atendimento pré-hospitalar, que envolve:
- Situações críticas e imprevisíveis
- Necessidade de decisões rápidas
- Coordenação de equipe em ambiente de alta pressão
- Manejo de pacientes graves em deslocamento
A Medicina de Emergência é a especialidade que reúne essas competências de forma mais completa, sendo considerada a mais adequada para assumir essa responsabilidade.
E se não houver emergencista disponível?
O parecer também reconhece a realidade do Brasil, onde ainda há escassez de especialistas em Medicina de Emergência em algumas regiões.
Nesses casos, o CFM admite que a responsabilidade técnica seja exercida por médicos com RQE em áreas correlatas, como:
- Medicina Intensiva
- Clínica Médica
- Cirurgia Geral
- Anestesiologia
Essa flexibilização busca equilibrar a exigência técnica com a viabilidade prática, sem comprometer a qualidade da assistência.
Por que isso é importante na prática?
Os serviços móveis de emergência, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e ambulâncias privadas, são muitas vezes o primeiro ponto de contato do paciente com o sistema de saúde em situações críticas.
Erros nesse contexto podem ter consequências graves, pois envolvem:
- Atendimento em ambiente não controlado
- Limitação de recursos
- Necessidade de decisões imediatas
Por isso, o CFM reforça que a presença de um responsável técnico qualificado é fundamental para:
- Padronizar protocolos
- Garantir treinamento adequado das equipes
- Reduzir riscos assistenciais
- Assegurar a continuidade do cuidado até o hospital
Impactos para médicos e serviços de saúde
O novo entendimento traz impactos diretos:
Para médicos:
- Aumenta a exigência de qualificação para assumir cargos de responsabilidade
- Valoriza o RQE como diferencial profissional
- Reforça a importância da especialização
Para empresas e gestores:
- Exige maior cuidado na contratação de responsáveis técnicos
- Impõe adequação às normas éticas e técnicas
- Pode impactar a estruturação de serviços móveis
Conclusão
O Parecer nº 07/2026 do CFM não cria uma obrigação totalmente nova, mas reforça e qualifica um requisito já existente, alinhando a responsabilidade técnica à complexidade dos serviços móveis de emergência.
Na prática, o recado é claro:
quanto maior o risco assistencial, maior deve ser o nível de qualificação do profissional responsável.
Em um cenário onde o atendimento pré-hospitalar ganha cada vez mais relevância, a medida busca garantir não apenas segurança jurídica, mas principalmente segurança para o paciente, que depende, muitas vezes, de decisões tomadas em minutos para sobreviver.