Blog

Publicidade médica: o médico pode divulgar fotos de antes e depois

Médico usando o celular para publicar conteúdo sobre publicidade médica nas redes sociais

Você fez um ótimo resultado, o paciente autorizou, e bateu a dúvida: posso postar o antes e depois no meu perfil? A pergunta é mais comum do que parece, e a resposta exige cuidado, porque o que parece um registro simples pode abrir uma denúncia no Conselho.

O que está em jogo quando o assunto é antes e depois

A publicidade do médico no Brasil é guiada pelo Código de Ética Médica e pela resolução do Conselho Federal de Medicina que trata especificamente do tema. A divulgação de imagens de antes e depois de procedimentos é um dos pontos mais sensíveis dessa regra, porque mistura resultado estético, expectativa do público e uma promessa de resultado que o médico não pode fazer. Na leitura que fazemos dos casos que chegam ao escritório, é aí que boa parte das denúncias nasce: não no procedimento em si, mas na forma como ele foi mostrado.

Por que o Conselho olha isso de perto

O entendimento parte de uma ideia simples: o paciente não deve escolher um tratamento movido por sensacionalismo ou pela sensação de resultado garantido. Imagens comparativas, montagens, legendas que prometem transformação e até a estética de um feed podem ser interpretadas como captação indevida de clientela. O mesmo post que para você é informação, para um conselheiro pode ser propaganda.

O que isso significa para você

Os médicos que ajustaram a comunicação antes de qualquer notificação seguem produzindo conteúdo sem sustos. O que vemos funcionar na prática é a prevenção, não o improviso depois que a intimação chega. Vale revisar o seu material com calma.

  • Se existe comparação direta de imagens que sugira resultado garantido.
  • Se há consentimento específico e por escrito do paciente para aquele uso exato da imagem.
  • Se a legenda promete, insinua ou compara resultados entre pacientes.
  • Se o diretor técnico da clínica está ciente do que é publicado em nome da instituição.

E aqui fica a parte que nenhuma cartilha resolve sozinha: a fronteira entre informar e prometer resultado nem sempre é óbvia, e um mesmo conteúdo pode ser lido de duas formas por conselheiros diferentes. Onde exatamente o seu post cai, e se ele resiste a uma análise ética, é algo que só dá para dizer olhando o material concreto, caso a caso.

O que a lei diz

A base está no Código de Ética Médica e na resolução do Conselho Federal de Medicina sobre publicidade médica, que fixam os limites da divulgação e vedam o anúncio sensacionalista, a promessa de resultado e o uso de imagens que induzam o público a erro. Vale lembrar que o médico responde pessoalmente perante o CRM, e, quando a publicação é feita em nome da clínica, o diretor técnico também pode ser chamado a responder. Contratar uma agência de marketing não transfere essa responsabilidade para terceiros.

Próximos passos práticos

  • Guarde o consentimento do paciente por escrito, descrevendo onde e como a imagem será usada.
  • Prefira conteúdo educativo, que explica o procedimento, no lugar de comparações de resultado.
  • Revise legendas e chamadas para retirar qualquer promessa ou garantia.
  • Antes de publicar um caso que gera dúvida, submeta o material a uma análise jurídica preventiva.

Antes de postar o próximo caso

Comunicar bem o seu trabalho é legítimo e importante, mas a linha que separa a informação da infração ética é fina. Se você tem um conteúdo na dúvida, ou já recebeu algum questionamento sobre o que publicou, a conversa com quem defende o médico resolve antes de virar problema. Se quiser essa leitura do seu caso, é por aqui, sem compromisso.

Ficou com dúvida sobre o seu caso?

Cada situação tem particularidades que só uma análise individual revela. Fale com o escritório e receba uma avaliação inicial gratuita e sigilosa.

Falar no WhatsApp