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Perícia com erro grosseiro pode rever indenização mesmo após a coisa julgada: o que isso sinaliza para o médico

Fachada de tribunal de justiça, imagem que ilustra a revisão de perícia em condenação do médico

Uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal reacendeu um debate que interessa diretamente a quem foi condenado com base num laudo pericial. Em julgamento divulgado em 28 de julho de 2026, o ministro Gilmar Mendes admitiu rever o valor de uma indenização mesmo depois do trânsito em julgado, ao reconhecer erro grosseiro na perícia que serviu de base para a conta. A pergunta que chega ao nosso escritório é imediata: e o médico condenado sobre um laudo que ele sabe estar equivocado, tem alguma porta?

O caso

O processo que originou a decisão não é da área médica. Discutia uma cobrança antiga contra a União, na qual o cálculo da condenação partiu de uma perícia com falha técnica evidente. O que nos importa aqui não é o objeto da ação, e sim a tese: o ministro afirmou que a coisa julgada, embora exista para dar segurança jurídica, não é um muro absoluto quando se demonstra um vício técnico capaz de distorcer de forma significativa o resultado. E foi cirúrgico ao separar duas coisas: o erro pericial grosseiro e demonstrável, que abre a exceção, e a mera divergência de método ou o inconformismo com o valor, que não abrem nada.

O que isso significa para você

Na nossa leitura, e é a leitura que aplicamos aos casos de médicos que chegam até aqui, essa sinalização importa para quem carrega uma condenação por erro médico apoiada numa perícia frágil. Vemos, na prática, uma diferença enorme de desfecho entre dois perfis. O médico que, no momento certo, atacou tecnicamente o laudo, apontou a contradição entre a conclusão e a prova dos autos e pediu esclarecimentos ao perito, chega ao fim do processo em posição muito mais sólida do que aquele que apenas registrou por escrito que discordava.

O que vale a pena verificar no seu caso

  • Se a perícia contém erro técnico objetivo (dado trocado, exame ignorado, conclusão sem nexo com a prova) ou apenas uma opinião que você reputa injusta.
  • Se esse erro foi capaz de mudar o resultado do julgamento, e não um detalhe lateral.
  • Se ainda existe prazo e via processual para levar o vício ao tribunal.
  • Se há parecer técnico independente que sustente, preto no branco, exatamente onde o laudo errou.

E aqui fica a dúvida que só o seu caso responde: o que o tribunal vai tratar como erro grosseiro e o que vai enquadrar como simples divergência? Essa linha é estreita e se move conforme a prova que você reúne. É justamente nesse ponto que a defesa se ganha ou se perde.

O que a lei diz

Uma decisão já transitada em julgado, em regra, só se desconstitui por ação rescisória, prevista no Código de Processo Civil (art. 966), com prazo de dois anos contados do trânsito (art. 975). A prova pericial, por sua vez, não amarra o juiz de forma automática: o próprio Código de Processo Civil permite que o julgador se afaste do laudo desde que fundamente, e admite parecer divergente e nova perícia. A decisão do STF caminha nessa direção ao aceitar, em caráter absolutamente excepcional, corrigir um resultado assentado em perícia grosseiramente equivocada.

Próximos passos práticos

  • Reúna o laudo pericial completo e destaque, com apoio técnico, cada ponto em que ele contraria o prontuário ou a literatura médica.
  • Separe a documentação clínica disponível à época (prontuário, exames, evolução), porque é ela que expõe o descompasso do laudo.
  • Peça um parecer independente a um médico da mesma especialidade, capaz de traduzir o erro em linguagem que o tribunal entenda.
  • Busque orientação jurídica para avaliar prazo, via cabível e viabilidade real antes de investir em qualquer medida.

Fechamento

Uma decisão como essa não é bilhete premiado, e não prometemos reverter o que quer que seja. O que ela reforça é uma convicção que sustentamos há tempo: laudo pericial não é palavra final, é prova, e prova se enfrenta com prova melhor. Se você foi condenado com base num laudo que não fecha, vale sentar e olhar os detalhes com calma. Quer que a gente analise o seu laudo? é por aqui, sem compromisso.

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Cada situação tem particularidades que só uma análise individual revela. Fale com o escritório e receba uma avaliação inicial gratuita e sigilosa.

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