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Erro médico: como o médico deve se portar na audiência

Sala de audiência vista do lugar de quem vai depor em processo por erro médico

Receber a intimação da audiência costuma assustar mais do que o próprio processo. O médico se vê diante de perguntas sobre uma conduta antiga, com o paciente ou a família na mesma sala, e teme que uma palavra mal colocada vire condenação. A boa notícia é que a audiência tem regras, e quem as conhece chega mais tranquilo.

O que é a audiência no processo por erro médico

A audiência de instrução é o momento em que o juiz ouve as partes e as testemunhas e esclarece os pontos controvertidos. No processo por suposta falha médica, é ali que se confrontam a versão do paciente, a do profissional e, muitas vezes, o que já disse a perícia. Não é uma conversa informal: tudo o que é dito fica registrado e passa a integrar a prova do processo.

Depoimento pessoal e oitiva de testemunhas

O médico pode ser chamado a prestar depoimento pessoal e também pode levar testemunhas que conheçam a rotina do atendimento. Colegas que atuaram no mesmo plantão ou na mesma equipe costumam ajudar a reconstruir o contexto da conduta, que raramente aparece de forma completa só no prontuário.

O que isso significa para você

Nos casos que acompanhamos, o médico que chegou preparado e alinhado com a defesa saiu da audiência em posição muito melhor do que aquele que improvisou. Preparar não é decorar um discurso, é dominar o próprio caso. Antes do dia, vale verificar:

  • Você releu o prontuário e sabe reconstituir, com segurança, a sequência do atendimento.
  • Entende qual é exatamente a acusação e a que conduta ela se refere.
  • Sabe o que já concluiu a perícia, se ela já foi realizada.
  • Combinou com o seu advogado o que é essencial esclarecer e o que não precisa ser antecipado.

A postura também pesa. Responder com calma, falar apenas o que foi perguntado, não discutir com a outra parte e manter o respeito ao juízo transmitem segurança técnica. A dúvida que só se resolve caso a caso é quanto detalhar: em alguns casos explicar a fundo a conduta reforça a defesa, em outros abre flanco para novas perguntas. Esse limite depende do que está em jogo no seu processo e deve ser definido com quem conhece os autos.

O que a lei diz

O Código de Processo Civil disciplina a audiência de instrução e julgamento, o depoimento pessoal das partes e a oitiva de testemunhas. É a lei processual que garante ao médico o direito de ser ouvido, de acompanhar a produção da prova e de ser assistido por advogado em todos os atos. Esse mesmo conjunto de regras assegura que ninguém é obrigado a produzir prova contra si de forma a ter direitos básicos de defesa violados, o que torna o preparo prévio não um luxo, mas parte do exercício regular da defesa.

Próximos passos práticos

  • Releia o prontuário completo e monte uma linha do tempo do atendimento com o seu advogado.
  • Liste os colegas que podem testemunhar sobre a rotina e a conduta adotada.
  • Confira o laudo pericial, se existente, e os pontos que ele reforça ou fragiliza.
  • Alinhe antecipadamente o tom das respostas e o que é prioritário esclarecer em juízo.

Como a gente pode ajudar

No escritório, vemos que metade da tranquilidade na audiência vem de saber, antes, o que esperar da sala. Médico defendido com antecedência não é pego de surpresa. Se você tem audiência marcada em um processo por erro médico e quer preparar o seu depoimento com quem defende o médico, a conversa é por aqui, sem compromisso.

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