O mercado de trabalho na área da saúde no Brasil continua a demonstrar uma trajetória de crescimento mesmo em um cenário econômico geral de retração. De acordo com a edição 79 do Relatório de Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde (RECS 79), elaborado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o setor de saúde registrou a criação de 7,53 mil postos de trabalho formais no último trimestre de 2025, alcançando um total de 5,28 milhões de vínculos formais até dezembro do ano passado.
Este crescimento é particularmente notável quando comparado ao desempenho de outros setores da economia, que apresentaram queda de 0,9% no emprego formal no mesmo período. Excluindo-se o setor da saúde, a retração foi ainda maior, de 1%. Esse desempenho reflete a natureza estrutural da demanda por cuidados de saúde no Brasil, como explica Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS, destacando que o setor da saúde possui características próprias que o tornam resiliente a crises econômicas.
Crescimento do emprego na saúde: detalhes e distribuição regional
Ao final de dezembro de 2025, a cadeia produtiva da saúde representava 10,9% do total de empregos no Brasil. O Sudeste se manteve como a região com maior concentração de vagas, com 2,63 milhões de postos de trabalho, seguido pelo Nordeste (1,04 milhão), Sul (768 mil), Centro-Oeste (548 mil) e Norte (292 mil).
Em termos percentuais, a região que mais se destacou foi o Centro-Oeste, com uma expansão de 2,8%, seguida pelo Sul (+0,5%) e pelo Nordeste (+0,4%). Por outro lado, o Norte (-0,8%) e o Sudeste (-0,1%) apresentaram variações negativas.
Segmento privado puxa a expansão do setor
O setor privado foi o principal motor do crescimento no emprego na saúde, registrando um aumento de 0,3% no trimestre, o que compensou a retração de 0,5% no setor público. De acordo com Denizar Vianna, o crescimento do emprego está diretamente relacionado à ampliação da oferta assistencial, especialmente no setor privado, que tem absorvido uma parte significativa da demanda por atendimento médico no Brasil.
Este cenário pode ser explicado pelo aumento de consultórios particulares, clínicas especializadas e hospitais privados que têm se expandido para atender uma população com crescente demanda por assistência médica de qualidade.
Geração de empregos no setor privado da saúde
No acumulado de 12 meses entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o setor privado gerou 162 mil empregos formais, com a maior parte das vagas concentradas em prestadores de serviços de saúde (125 mil postos), seguidos por fornecedores de equipamentos e insumos médicos (31 mil) e operadoras de planos de saúde (5,7 mil).
O dado reflete a necessidade crescente de assistência direta ao paciente. Apesar dos avanços tecnológicos no setor, o cuidado médico continua essencialmente humano, sendo a principal força de trabalho responsável pela prestação dos serviços.
O crescimento do emprego na saúde por 100 mil habitantes
Outro dado importante apresentado pelo IESS é o crescimento do número de empregos na cadeia da saúde por 100 mil habitantes, que aumentou 2,7% de dezembro de 2024 a dezembro de 2025. Esse índice alcançou 2,6 mil vínculos por 100 mil habitantes em todo o país, com os maiores avanços no Centro-Oeste (+4%), seguido pelo Sul (3,8%) e Nordeste (3,1%).
Esse crescimento por habitante revela uma tendência de expansão proporcional da oferta de serviços de saúde à medida que a população brasileira busca mais acesso a tratamentos e cuidados médicos especializados.
Perspectivas para o futuro do emprego na saúde
O setor da saúde continua a ser uma das principais fontes de geração de empregos no Brasil. A demanda por serviços de saúde, tanto no setor público quanto no privado, tende a crescer com o envelhecimento da população, o aumento das doenças crônicas e a expansão do acesso a tratamentos médicos.
A infraestrutura de saúde e a qualificação profissional serão fundamentais para garantir que o setor continue a atender a população de maneira eficiente e com qualidade. Em contrapartida, a digitalização e inovação tecnológica prometem transformar a maneira como os serviços são prestados, criando novas oportunidades de emprego nas áreas de telemedicina, gestão de dados de saúde e tecnologias assistivas.
Conclusão
O crescimento do emprego na cadeia da saúde no Brasil, com 5,28 milhões de vínculos formais registrados no final de 2025, reflete uma demanda estrutural por serviços médicos e assistência. Mesmo em um cenário de retração econômica, o setor da saúde se destaca pela capacidade de absorver novos profissionais e pela necessidade constante de atendimento médico especializado.
A expansão do setor privado tem sido a principal responsável por esse crescimento, e as perspectivas para os próximos anos continuam a ser positivas. Para médicos e profissionais da saúde, isso representa novas oportunidades de carreira, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de qualificação contínua para acompanhar as inovações e mudanças no mercado.
Seja no atendimento direto ao paciente, em gestão hospitalar, ou no setor privado, o mercado de trabalho da saúde segue em constante evolução, e o aumento de vagas formais evidencia um setor robusto e fundamental para a economia brasileira.