Complicações em estética crescem em São Paulo e acendem alerta sobre segurança assistencial

Um levantamento divulgado pela Associação Paulista de Medicina aponta aumento expressivo das ocorrências relacionadas a complicações em procedimentos estéticos em São Paulo. Entre médicos, o número de sindicâncias subiu 41,4%, passando de 2.830 em 2023 para 4.002 em 2025. Já os casos envolvendo profissionais não médicos cresceram 90,3%, de 248 em 2024 para 472 em 2025. O mesmo levantamento informa ainda 44 ações judiciais relacionadas a esse tipo de procedimento.

É importante fazer uma distinção: esses números se referem a ocorrências, sindicâncias e casos relacionados a complicações, e não necessariamente à incidência total de eventos adversos em todos os procedimentos estéticos realizados no estado. Ainda assim, o crescimento chama atenção porque sugere aumento da demanda por correção de danos e maior pressão sobre consultórios, hospitais e órgãos de fiscalização.

É importante fazer uma distinção: esses números se referem a ocorrências, sindicâncias e casos relacionados a complicações, e não necessariamente à incidência total de eventos adversos em todos os procedimentos estéticos realizados no estado. Ainda assim, o crescimento chama atenção porque sugere aumento da demanda por correção de danos e maior pressão sobre consultórios, hospitais e órgãos de fiscalização.

O problema não está restrito ao noticiário local. Um estudo multicêntrico publicado na revista Dermatologic Surgery avaliou a experiência de 1.058 médicos brasileiros, principalmente dermatologistas e cirurgiões plásticos, sobre complicações de procedimentos estéticos realizados por não médicos. O trabalho encontrou que 12,69% dos pacientes atendidos por esses especialistas já haviam sido submetidos a procedimentos por não médicos, com média de cinco complicações tratadas por mês por médico. Além disso, cerca de 17% dos casos resultaram em sequelas permanentes.

Esse mesmo estudo identificou como complicações mais frequentes cicatrizes (78,68%), inflamação (72,15%) e infecção (65,43%). Os autores relatam que muitos desses casos exigem acompanhamento por até três especialistas e entre sete e oito consultas por ano, além de cirurgias corretivas em parte dos pacientes. Ou seja, quando o procedimento dá errado, o impacto não é apenas estético: ele pode se transformar em problema clínico complexo, prolongado e caro.

Outro ponto relevante é que procedimentos muitas vezes vendidos como simples, como toxina botulínica e preenchimentos, não são isentos de risco. A literatura citada no estudo e a reportagem da APM mencionam possibilidade de infecção, necrose, embolia, reações alérgicas e danos permanentes, especialmente quando há falha técnica, uso indevido de substâncias ou execução em ambiente inadequado.

A discussão também passa pelo tipo de produto utilizado. A reportagem menciona preocupação com substâncias como PMMA e silicone líquido, associadas a deformidades graves e desfechos potencialmente fatais quando usadas de forma inadequada. Em paralelo, o estudo científico reforça que o problema central é a realização de procedimentos invasivos por pessoas sem formação médica apropriada, o que aumenta o risco de eventos adversos e dificulta o reconhecimento precoce de complicações.

Do ponto de vista da prática clínica, o cenário exige atenção em três frentes. A primeira é informação adequada ao paciente, com explicação clara sobre riscos, limites e necessidade de acompanhamento. A segunda é documentação rigorosa, já que complicações estéticas frequentemente evoluem para disputas éticas, administrativas ou judiciais. A terceira é a qualificação técnica e assistencial, porque a execução e o manejo da intercorrência exigem capacidade de decisão clínica, não apenas habilidade procedural. A gravidade dos casos descritos mostra que estética não pode ser tratada como ato banal ou puramente comercial.

Em síntese, os dados disponíveis mostram dois movimentos simultâneos: crescimento das complicações registradas em São Paulo e confirmação, em estudo nacional, de que sequelas relevantes estão chegando aos especialistas com frequência considerável. Mais do que um debate corporativo, o tema é de segurança do paciente, qualidade assistencial e responsabilidade técnica.

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