CFM institui plataforma nacional para combater o exercício ilegal da medicina

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em 27 de fevereiro de 2026, a Resolução CFM nº 2.453/2026, que cria a plataforma Medicina Segura CFM em âmbito nacional. A iniciativa estabelece um sistema estruturado para receber, organizar e encaminhar denúncias relacionadas ao exercício ilegal da medicina, fortalecendo a proteção da sociedade e a defesa das prerrogativas médicas.

A norma entrou em vigor imediatamente e representa um avanço institucional no enfrentamento de práticas irregulares que colocam pacientes em risco.

O que é a plataforma Medicina Segura CFM?

A plataforma Medicina Segura CFM é um sistema eletrônico nacional destinado à:

  • Coleta estruturada de denúncias;
  • Registro padronizado de ocorrências;
  • Encaminhamento das informações aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs);
  • Integração com autoridades sanitárias, policiais, ministeriais e judiciais.

Segundo o CFM, a proposta é criar um fluxo nacional organizado, capaz de dar mais eficiência à fiscalização e combater de forma coordenada o exercício ilegal da medicina.

A plataforma contará com mecanismos de anonimização de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), garantindo segurança e confidencialidade das informações.

Por que a medida foi criada?

De acordo com o CFM, a resolução responde ao aumento significativo de casos de práticas médicas irregulares realizadas por pessoas sem formação em medicina.

Há registros de:

  • Procedimentos invasivos executados por não médicos;
  • Prescrição irregular de medicamentos;
  • Intervenções clínicas sem qualificação adequada;
  • Danos permanentes e até risco de morte a pacientes.

Esse cenário gerou a necessidade de um mecanismo nacional estruturado, capaz de centralizar dados, padronizar informações e fortalecer as ações fiscalizatórias.

Quem será responsável pela fiscalização?

As ações vinculadas à plataforma ficarão sob responsabilidade das:

  • Comissões de Prerrogativas Médicas e Combate ao Exercício Ilegal da Medicina (COPEIM), tanto no âmbito do CFM quanto dos CRMs;
  • Estruturas equivalentes nos Conselhos Regionais.

O CFM será responsável por:

  • Fornecer suporte técnico;
  • Capacitar os Conselhos Regionais;
  • Disponibilizar sistema eletrônico integrado;
  • Garantir a padronização dos procedimentos.

Relação com normas anteriores

A criação da plataforma também reforça o que já estava previsto na Resolução CFM nº 2.416/2024, que determinou a obrigatoriedade de notificação aos CRMs quando houver ciência de eventos adversos decorrentes de atos praticados por não médicos.

Agora, com a Medicina Segura CFM, esse dever ganha uma estrutura tecnológica nacional, tornando o sistema mais eficiente e integrado.

Impacto para médicos e para a sociedade

  • Para a sociedade:
  1. Maior proteção contra práticas irregulares;
  2. Resposta mais rápida a denúncias;
  3. Integração com órgãos públicos;
  4. Fortalecimento da segurança assistencial.
  • Para os médicos:
  1. Defesa das prerrogativas profissionais;
  2. Combate à concorrência ilegal;
  3. Valorização da formação médica;
  4. Reforço à ética e à responsabilidade profissional.

A iniciativa também contribui para preservar a credibilidade da medicina, diferenciando claramente o ato médico regulamentado das práticas exercidas por pessoas sem habilitação legal.

Um marco no combate ao exercício ilegal

A Resolução nº 2.453/2026 consolida uma estratégia nacional de enfrentamento ao exercício ilegal da medicina, organizando informações que antes estavam dispersas e fortalecendo a atuação conjunta entre os Conselhos e o poder público.

Em um cenário de crescente complexidade na assistência à saúde, a criação da plataforma Medicina Segura CFM representa um passo relevante para:

  • Garantir segurança aos pacientes;
  • Reforçar a fiscalização;
  • Proteger a profissão médica;
  • Promover um ambiente assistencial alinhado às normas éticas e legais.

Trata-se de uma medida que busca equilibrar tecnologia, regulação e responsabilidade profissional em favor da proteção da vida e da qualidade da assistência médica no Brasil.

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